Quando as dores começaram, Silmara Aparecida dos Santos acreditou que estava enfrentando mais uma crise renal. As pontadas nas costas e o desconforto já haviam aparecido outras vezes. Nada que a fizesse imaginar que, poucas horas depois, sua vida mudaria completamente.
Na quinta-feira (11), ela procurou atendimento médico e foi encaminhada ao Hospital Regional Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, para realizar exames. O que parecia ser um problema nos rins escondia uma surpresa que nem ela, nem a família, imaginavam.
Silmara estava grávida. E não apenas grávida. Já estava em trabalho de parto.
Sem barriga aparente, utilizando anticoncepcionais que interrompiam o ciclo menstrual e sem apresentar sinais que a fizessem suspeitar da gestação, ela descobriu que seria mãe novamente quando já estava com dilatação total.
“Eu fiquei branca. Não sabia se chorava ou ria. Sentei na cama e perguntei: eu estou grávida? E já estava com 100% de dilatação. O bonitinho estava pronto para nascer”, relembrou.
Pouco tempo depois, nasceu Gabriel.
Pesando quase três quilos, saudável e cercado de profissionais que também se surpreenderam com a situação, o menino chegou ao mundo sem chá revelação, sem enxoval preparado e sem os meses de expectativa que normalmente acompanham uma gestação.
Uma gravidez que passou despercebida
Segundo a equipe médica do hospital, casos como esse são raros, mas podem acontecer.
De acordo com o coordenador do Centro Obstétrico do Hospital Regional Ruth Cardoso, Ivanildo Ferreira dos Santos, algumas mulheres podem não apresentar sintomas clássicos da gravidez.
A ausência de aumento significativo da barriga, alterações menstruais pouco perceptíveis e outros fatores podem fazer com que a gestação passe despercebida até fases bastante avançadas.
No caso de Silmara, tudo indicava uma rotina normal. Ela continuava trabalhando, cuidando da família e acreditando que os desconfortos que sentia estavam relacionados a outros problemas de saúde.
O susto deu lugar à solidariedade
Se a chegada de Gabriel pegou a mãe de surpresa, trouxe também um desafio imediato. Sem saber que estava grávida, Silmara não havia comprado roupas, fraldas ou qualquer item para receber o bebê.
Foi então que amigos e familiares iniciaram uma verdadeira força-tarefa. Sensibilizadas com a situação, pessoas próximas organizaram uma campanha para arrecadar roupas, produtos de higiene e itens essenciais para os primeiros dias de vida do recém-nascido.
Em pouco tempo, o que começou como um susto se transformou em uma corrente de solidariedade.
Uma nova história aos 16 anos de distância
Gabriel é o segundo filho de Silmara. O primeiro, Gustavo, tem 16 anos.
Agora, a família ganha um novo integrante de forma completamente inesperada. E embora ela não tenha vivido os meses da gestação, garante que pretende aproveitar cada momento daqui para frente.
“Não deu para curtir a gravidez. Mas agora dá para aproveitar a fase boa. O susto está passando e dá para curtir bastante. Graças a Deus ele veio com muita saúde”, comemorou.
No fim das contas, a pedra nos rins nunca existiu. Mas daquela dor nasceu uma história que Silmara certamente contará por muitos anos.









