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OPINIÃO – O salgado da Páscoa está no preço dos ovos de chocolate

A data mais doce do ano chega mais amarga para o bolso do consumidor

A proximidade da Páscoa, tradicionalmente conhecida como a data mais doce do ano, costuma trazer otimismo ao varejo, especialmente para supermercados, confeitarias e lojas especializadas em chocolates. É um período de expectativa alta nas vendas e de celebração para as famílias.

Mas, em 2026, o cenário vem com um ingrediente a mais, e nada doce: o aumento expressivo dos preços.

O consumidor catarinense já sente no bolso o impacto de uma alta que pode chegar a 26% nos chocolates em todo o país. O reflexo é direto na rotina das famílias: aquilo que deveria ser um momento de celebração passa a exigir planejamento financeiro e escolhas mais cautelosas, principalmente quando o objetivo é agradar os pequenos.

Afinal, como manter a tradição sem comprometer o orçamento?

Mesmo diante desse cenário, a intenção de consumo segue aquecida. Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, aponta que 65% dos brasileiros pretendem ir às compras para a data, um aumento de 4,2 milhões de consumidores em relação ao ano passado.

O gasto médio previsto é de R$ 253, com a compra de cerca de cinco produtos por pessoa. O dado revela um comportamento claro: o consumidor não abre mão da data, mas adapta a forma de consumir.

Por trás desse aumento estão fatores conhecidos, e cada vez mais presentes no bolso: a maior demanda sazonal, a valorização do cacau (principal matéria-prima do chocolate), além da inflação e dos custos logísticos e de produção.

E há um detalhe que chama ainda mais atenção: a diferença de preços.

Pesquisa do Procon-SC em cidades catarinenses mostra que um mesmo produto pode apresentar variações de até R$ 120 entre estabelecimentos.

Diante disso, o velho hábito brasileiro de deixar tudo para a última hora pode custar caro. Mais do que nunca, pesquisar preços deixou de ser uma opção, virou necessidade.

Porque, neste ano, a Páscoa traz um contraste curioso: enquanto o chocolate encarece, até o salgado parece ter alcançado o mesmo patamar de preço.

E, no fim das contas, o verdadeiro desafio do consumidor será equilibrar tradição, desejo e orçamento, sem deixar o sabor da data se perder.

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