Mesmo com crescimento nas vendas, parte dos consumidores prioriza pagar contas e adota postura mais cautelosa nas compras
A Páscoa de 2026 chega com um cenário que chama atenção: ao mesmo tempo em que o consumo cresce, a preocupação com dívidas também aumenta.
Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito, cerca de 106 milhões de brasileiros devem ir às compras, com gasto médio estimado em R$ 253, o maior já registrado para a data.
Em Santa Catarina, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina projeta crescimento de 8,4% nas vendas, reforçando a força da data para o varejo.
Mas o outro lado dos dados revela um comportamento mais cauteloso: uma parcela significativa dos consumidores afirma que precisa priorizar o pagamento de dívidas, o que impacta diretamente na forma de consumir.
É nesse contraste que está o paradoxo de 2026:
mais gente comprando, mas com menos liberdade para gastar.
Mas, na prática, o que isso significa?
Entre uma conversa e outra, a resposta aparece de forma simples e real.
As amigas Eduarda W. Serafini e Júlia Z. Bandeira ainda não compraram os presentes de Páscoa. Para elas, que se mudaram recentemente para Chapecó, a decisão passa diretamente pelo preço. “Um absurdo de caro”, resumem, sem hesitar.
Enquanto Eduarda prefere trocar os tradicionais ovos por uma sobremesa para reunir a família no domingo, Júlia mantém a tradição e pretende comprar ovos de chocolate para os pais.
A escolha de cada uma revela um comportamento que se repete em todo o país: adaptar a celebração à realidade financeira.

Tradição que chega (e pesa)
Para algumas famílias, a tradição também muda com o tempo. Rafael Geller, pai de duas meninas, conta que os ovos de chocolate passaram a fazer parte da Páscoa há pouco tempo. “Minha filha tem 5 anos e descobriu isso tudo recentemente. Agora ela pede, vamos ter que comprar”, explica.
A fala mostra como o consumo também é influenciado por fatores emocionais e familiares, muitas vezes acima do planejamento. Na prática, a decisão entre consumir ou economizar se torna inevitável.
A designer Aline Silva resume esse dilema com uma frase direta:
“Essa é a realidade. ”Para ela, a solução foi equilibrar: “Presente de Páscoa não. Só uma lembrancinha para os mais próximos e um chocolatinho, que eu já comprei.”
Consumo cresce, mas comportamento muda
De acordo com a pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito, a maioria dos consumidores deve concentrar as compras na semana da Páscoa, mantendo a tendência de decisões de última hora.
Além disso, 82% pretendem pesquisar preços, indicando maior atenção ao orçamento e ao custo-benefício.
Os chocolates industrializados seguem liderando, enquanto o segmento artesanal cresce impulsionado pela busca por qualidade e personalização.
Reflexos no comércio
Para o comércio, a expectativa é positiva, com aumento na circulação de consumidores. Mas o comportamento mais cauteloso exige estratégias mais assertivas, como promoções, diversidade de produtos e preços competitivos.
Entre a tradição e a realidade, a Páscoa segue como uma das datas mais importantes do varejo, impulsionada pelo apelo emocional. Mas, em 2026, ela revela um novo perfil:
um consumidor que continua comprando, mas pensa mais, calcula mais e, muitas vezes, precisa escolher.









